Essa é uma daquelas decisões profissionais que eu demorei um pouco para tomar.
Durante muitos anos, atendi mães de noivas junto com minhas clientes. E tive experiências lindas. Mães emocionadas, carinhosas, participativas… mulheres que tornavam aquele dia ainda mais especial. As noivas que já tem as mães incluídas no contrato continuam com o atendimento normalmente.
Mas também tive algumas experiências pontuais que me fizeram repensar esse atendimento.
Algumas mães chegavam atrasadas no cronograma. Outras não queriam começar a se arrumar cedo porque achavam que ainda havia muito tempo. E algumas, por insegurança, precisavam de mais atenção, mais conversa, mais ajustes… e aquela produção que deveria levar um determinado tempo acabava se estendendo.
O problema não era fazer a mãe.
O problema era o que isso começava a tirar da noiva.
Eu me via gastando mais energia, mais tempo e mais atenção tentando administrar aquela produção, enquanto o meu tempo com a pessoa que realmente precisava de mim naquele momento diminuía.
E casamento tem relógio.
Não adianta.
A noiva tem horário para estar pronta, para fotografar, para entrar na cerimônia. E eu preciso estar inteira para entregar aquilo que considero impecável.
Também percebi que algumas situações acabavam alterando o clima do ambiente. Pequenos atritos, ansiedade, cobranças… coisas que talvez pareçam insignificantes, mas que, somadas, pesam.
E teve uma situação que ficou muito marcada para mim.
Uma vez, a mãe tinha uma relação de disputa com a própria filha. E quando finalmente viu a filha pronta, em vez daquele clássico “minha filha, você está maravilhosa”, não veio elogio. Veio comparação, crítica, aquela energia de competição que ninguém pediu, muito menos uma noiva horas antes de casar.
E eu pensei: “Meu Deus… isso aqui não é episódio de Big Little Lies . A gente não precisa de uma rivalidade feminina acontecendo enquanto eu estou tentando finalizar o penteado.
Brincadeiras à parte, aquilo me fez perceber ainda mais o quanto o ambiente da preparação influencia a experiência da noiva.
E eu não queria mais que isso interferisse na experiência da minha noiva.
Então tomei uma decisão: parei de atender mães de noivas.
Não porque não goste delas.
Muito pelo contrário.
Foi justamente por respeitar o meu trabalho, o meu tempo e, principalmente, a experiência que quero proporcionar para a noiva. Mas não significa que elas não podem estar no mesmo ambiente.
Hoje prefiro estar 100% disponível para ela.
Porque no dia do casamento, entre tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, eu quero que a minha energia esteja exatamente onde ela precisa estar.
Nela.
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